quinta-feira, 26 de julho de 2012


A PRIVACIDADE DOS MERITÍSSIMOS
Se o teto de vencimentos  estabelecido em lei não podem passar dos R$ 26,7 mil, por que os ministros do STF - Superior Tribunal Federal podem ganhar acima disto? É a pergunta que todos fazem, depois que saiu a lista salarial divulgada pela corte no seu site na sexta-feira,20, em cumprimento à Lei de Acesso à Informação.

Isto tudo é revoltante e a sociedade fica pasma, aceita, não protesta e fica por isso mesmo. A situação é tão vergonhosa que mais de cem servidores do STJ, sob o mesmo argumento de incorporação de bonificações, e outros pinduricalhos também ganharam acima do limite constitucional. E não acontece nada?

No Superior Tribunal de Justiça, em seis casos, o contracheque ficou acima de R$ 50 mil, entre os quais o da corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Eliana Calmon, que recebeu R$ 62 mil brutos. O campeão do mês foi o ministro Massami Uyeda, com R$ 64,5 mil. Em todos os casos, o valor alto se deveu à antecipação de férias, mais o abono de um terço a que todo trabalhador tem direito, segundo explicou o tribunal. Os outros com salário gordo foram Napoleão Maia (R$ 58 mil), Teori Zavascki (R$ 58 mil), Antônio Ferreira (R$ 56 mil) e Ricardo Cueva (R$ 56 mil). O STJ foi o terceiro tribunal superior a divulgar a lista nominal de salários de todos os servidores, seguindo o exemplo do Tribunal Superior do Trabalho e do Supremo Tribunal Federal. O prazo do CNJ para a Justiça se adequar à lei já terminou. Mais de 80% dos tribunais não o cumpriram. Alguns pediram mais prazo, outros recorreram à lei para não divulgar nomes e a grande maioria alegou impossibilidade técnica para cumprir a norma. No caso do STJ, os menores salários entre os ministros foram pagos a Félix Fischer – R$ 28,5 mil brutos e R$ 20,6 mil líquidos – e ao presidente da corte, Ari Pargendler, que ganhou R$ 30 mil brutos e R$ 21,9 mil líquidos. Desde 2010, o STJ já divulgava todos os seus gastos em detalhe, inclusive os salariais, mas sem dar os nomes (portanto não era possível saber o salário dos ministros). A alteração foi feita por causa da Lei de Acesso à Informação e à Resolução 151 do CNJ, que deu prazo até 20 de julho para o Judiciário disponibilizar dados completos na internet.

Aqui no Rio Grande do Sul está havendo uma manha por parte do Poder Judiciário que tenta se fazer de desentendido para não divulgar os salários dos juízes, procuradores e demais componentes do poder, considerando que a divulgação nominal dos salários viola a privacidade dos servidores do Judiciário. Que os Tribunais de Justiça não queiram divulgar os vencimentos de juízes e funcionários se compreende, embora não se aceite. É o velho jus esperniandi, o direito de chiar. Trata-se, como em tantos outros casos, de um retrato da identidade brasileira, ou, melhor dito, da elite brasileira.

Ora, se a Câmara, Senado, Assembleias Legislativas, Câmaras de Vereadores, Presidência da República, Governadores, Prefeitos etc., divulgam seus salários, que história é essa dos meritíssimos ocultarem quanto ganham? Ou a Lei é para todos, ou para ninguém.

Para encerrar a semana: Estimulado por integrantes da cúpula do PT, três coordenadores do setor jurídico do partido de São Paulo entraram nesta quarta-feira com representação na Justiça Eleitoral para tentar convencer os ministros do Supremo Tribunal Federal da "inconveniência" de julgar o mensalão agora. No ofício, encaminhado à presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia, que também é ministra do STF, os petistas dizem ser "inoportuno" a ocorrência do julgamento em período eleitoral. As informações são do jornal Folha de S. Paulo. "Tem-se o pior dos mundos: a judicialização da política e a politização do julgamento", diz o texto, que acrescenta: "É duplamente inoportuno marcar um julgamento na véspera da eleição, em pleno curso da campanha. Sacrificam-se os direitos individuais e desequilibra-se o pleito, do qual o Supremo Tribunal Federal se transformará no principal protagonista." O julgamento está marcado para começar no dia 2 de agosto e decidirá o futuro de 38 réus, incluindo toda a ex-cúpula nacional do PT e o ex-ministro José Dirceu.


terça-feira, 24 de julho de 2012


MORREU NOSSO MAIOR ARTISTA PLÁSTICO

Todo artista tem lá suas manias. Frederico Guilherme Stein (Vili), como era mais conhecido, também tinhas as suas. Além de ser apaixonado por fotografia, colecionava câmeras fotográficas, muitas delas testemunhas de fatos históricos da cidade de Erechim, terra que adotou quando aqui chegou aos 14 anos, procedente de Maximiliano de Almeida, depois de trer residido com seus pais em Rio Ligeiro e Viadutos, ainda distrito do nosso município. Era filho de imigrante alemão casado com uma brasileira de origem alemã. Vili, além de tudo, era um artista como poucos, quase completo e o que é importante autodidata. Tudo o que fez e deixou para a posteridade aprendeu sozinho, não teve professor. Ele mesmo era professor de si. Com a madeira realizava obras fantásticas: Santa Ceia, Jesus morto na cruz que está localizado ao lado da mesa onde é rezada a missa da Catedral São José, móveis e tantas outras peças de valor artístico inestimáveis. Trabalhos seus foram levados até para o exterior. Outro hobby de Vili era a música. Desde a fundação da Orquestra de Concertos de Erechim era um de seus integrantes. Tocava violoncelo, instrumento que ele mesmo fabricou.

Como da vida nada se leva, apenas se deixa saudades e a lembrança de obras por ventura realizadas,  Frederico Guilherme Stein ao falecer aos 82 anos de idade, nos lega um acervo espectável de obras e objetos que qualquer museu gostaria de possuir. Menos o de Erechim.

De acordo uma das últimas entrevistas de Vili ao jornal Bom Dia em 2001, sua maior frustração, foi não ter podido fazer com que alguém aceitasse sua coleção de objetos (cerca de 100 câmeras fotográficas das mais antigas e raras, centenárias, projetores e obras) para ser transformado em um museu. “Passei um longo tempo disposto a doar este acervo que, com muito esforço conquistei, para fazer parte do arquivo histórico de Erechim, mas infelizmente ninguém se interessou”, lamentava Vili Stein.

Não se sabe quem herdará esse patrimônio histórico riquíssimo que Vili deixou, pois ele não possuía filhos e sua esposa Luiza também é falecida. Algumas obras de escultura ficaram inacabadas.

A morte de nosso artista plástico deu-se no sábado motivada por infarto do miocárdio, após quase duas semanas de internação no Hospital Santa Terezinha local. Ele tinha 82 anos de idade. Seu sepultamento ocorreu ainda no sábado no Cemitério Municipal Pio XII de Erechim.

É uma lástima que não se tenha dada a importância merecida ao nosso artista plástico Frederico Guilherme Stein! Aliás, Erechim que se importa com tantas outras coisas não sabe dar valor a preservação dos valores daqueles que promovem a arte e a cultura de nossa terra. E Vili não é o primeiro e não será o último a ser postergado a qualidade ou estado de cidadão comum.

 Acorda Erechim!

 Está na hora!

sexta-feira, 20 de julho de 2012


TUMOR E PUNIÇÃO AS OPERADORAS DE TELEFONES
Dois assuntos importantes e de repercussão. O primeiro a notícia de que um dos réus do mensalão, ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) está com um câncer no pâncreas. Os exames laboratoriais confirmaram no final de semana a presença de um tumor maligno num dos órgãos mais delicados e importantes do corpo humano. É um órgão que produz enzimas digestivas e, inclusive, hormônios. Ele secreta enzimas digestivas ao duodeno e hormônios na corrente sanguínea. Isso me disse um médico, meu amigo. Falando um português para que todos entendam, a enzima produzida pelo pâncreas é tão corrosivo como ácido de bateria. É por isso que ela desmancha as proteínas, carboidratos e gorduras. É ainda o pâncreas que secreta grandes quantidades de bicarbonato de sódio, que protege o duodeno neutralizando o ácido oriundo do estômago. Mas, tem mais,  o pâncreas  produz a insulina que faz com que as células absorvam glicose, estimula o seu armazenamento, e inibe a sua produção demasiada.  As anormalidades na secreção ou na resposta das células à insulina provocam o distúrbio denominado diabetes mellitus. Deu para entender? Pois, tudo isto, volto a dizer, foi um médico amigo meu que me instruiu.
O ex-deputado Roberto Jefferson terá que retirar o pâncreas. Segundo os médicos ficará cinco dias em UTI e mais outros tantos dias em quimioterapia.
De acordo com os médicos, esse tipo de câncer tem 60% de chances de cura.

O outro assunto é a qualidade dos serviços telefônicos oferecidos pelas operadoras no Brasil. Finalmente a Anatel - Agência Nacional de Telecomunicações resolveu colocar um basta nesta questão. A Anatel que regula as telecomunicações no país quer que a Telefônica Vivo reduza em 40% o número de interrupções no serviço de telefonia fixa no Estado de São Paulo. De acordo com despacho publicado na tarde desta sexta-feira, a empresa terá cinco meses para "ressarcir os créditos dos usuários afetados pelas interrupções, independentemente de solicitação e da quantidade de assinantes atingidos".
Em caso de descumprimento, a multa será de R$ 20 milhões.
Na quarta-feira (18), a Anatel puniu também, de uma só vez, três maiores operadoras de telefonia móvel no país - TIM, Oi e Claro.
A medida, que passa a valer a partir de segunda-feira (23), foi uma resposta da Anatel ao aumento das reclamações dos consumidores quanto ao serviço junto ao órgão oficial. As operadoras ficam obrigadas a apresentar um novo plano de investimentos, em até 30 dias, para melhoria da rede, da infraestrutura e do teleatendimento.
Caso descumpram a decisão, o valor da multa diária é de R$ 200 mil. Finalmente o consumidor deixa de ser achacado pelas operadoras de telefonia neste país.




quinta-feira, 19 de julho de 2012


ENTREVISTA COMOVENTE

Ouvi com emoção a entrevista da senhora Marilene Rigo Berndsen, na Rádio Cultura FM local, idealizadora e responsável pela Ong - Centro de Apoio Oncológico Luciano, uma entidade sem fins lucrativos que foi criada para oferecer apoio, conforto e melhores condições de vida aos pacientes portadores de câncer.
A entidade nasceu em homenagem ao seu filho Luciano, que no vedor de sua juventude foi vítima dessa doença. Sua família, especialmente sua mãe, dona Marilene, e mais um grupo de abnegadas mulheres, tomadas de vivo entusiasmo pela solidariedade humana às pessoas portadoras de câncer fundaram a CAOL.
O Centro de apoio Oncológico Luciano se mantém com a ajuda espontânea da comunidade; são empresas e particulares que destinam recursos, pelos quais, cerca de 50 pessoas em média, são mantidas em alojamento confortável onde recebem carinho, atenção, sentimento de amor e compreensão. Somente quem tem um familiar com essa doença sabe como é sofrida a vida; como tudo fica difícil. Os amigos, muitas vezes se afastam e discriminam.
Na CAOL ninguém paga nada!
As pessoas que mantém e trabalham para a CAOL, não ganham nada!
O poder público; os governos; os políticos...não dão nada!
Mas, a CAOL está ai para dar força aos desenganados, conforto aos debilitados e consolo aos desesperados.
Dona Marilene: continue amando os doentes que a procuram, ou que lhe forem confiados, como se fossem seus próprios filhos e irmãos. Sua missão é grandiosa e sublime, embora difícil e espinhosa.
Muitas são as maneiras de colaborar com o Centro de Apoio Oncológico Luciano. O Centro aceita trabalho voluntário, contribuições em dinheiro ou doações necessárias.
As pessoas ou empresas que desejarem ser sócio-contribuintes podem colaborar com uma quantia
fixa por um determinado período: mês, trimestre, semestre ou ano. Outra forma de captação de recursos utilizada pelo Centro de Apoio Oncológico Luciano é a venda de produtos promocionais com a marca do CAOL, como camisetas, bomba de chimarrão e outros. As doações em dinheiro podem ser depositadas conforme a relação abaixo:
BANCO DO BRASIL S.A.
Agência n° 0132-5
Conta n° 5869-6
Erechim - RS
SICREDI
Agência n° 0217
Conta n° 14038-4
BANRISUL
Agência n° 0210
Conta n° 06039617-01
CAIXA ECONOMICA FEDERAL
Agência: 0470
Conta n° 032208-0
A sede própria do CAOL está situada na Rua 20 de Setembro nº 68, com uma área construída de 1020m², a duas quadras do Hospital Santa Terezinha, Erechim - RS. Possui acomodação para 100 pessoas.
Eu não possuo estatística atual mas, cerca de 4 milhões de pessoas morrem de câncer por ano, em todo o mundo. No Brasil, o câncer é a segunda causa morte, depois das doenças cardiovasculares e causas externas, como violências.
Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer, mais de 100.000 óbitos (homens e mulheres) acontecem por ano no Brasil devido ao câncer. Que exemplo como este de dona Marilene possam se multiplicar pelo Brasil.

terça-feira, 17 de julho de 2012

A ENTREVISTA QUE NÃO TEVE NADA DE FANTÁSTICO
A entrevista ao Fantástico domingo à noite da ex-primeira-dama Rosane Collor,  separada do senador Fernando Collor de Mello há 20 anos, não acrescentou nada mais do que já se sabia. A única novidade foi a acusação de que estaria sendo ameaçada, que corre risco de vida e que é uma das únicas sobreviventes do grupo próximo ao então presidente. Disse também que se algo lhe acontecer o responsável maior será Fernando Collor de Mello.
A ex-primeira-dama também deu detalhes sobre os rituais de magia negra que ocorriam nos porões da Casa da Dinda. Segundo ela, Fernando Collor já fazia rituais antes dos dois se conhecerem. "Faziam trabalhos em cemitérios, na Casa da Dinda. Eram trabalhos muito sérios, trabalhos com morte de animais em que matavam galinha, boi, vaca". Ela culpa o ex-marido por todos os revezes de sua vida.
De resto, a amizade e a ligação com PC Farias, a influência que ele exercia sobre Collor tudo já se sabia. Ao final da entrevista Rosane afirmou estar lutando para aumentar a pensão de R$ 18 mil que ganha mensalmente do marido, justificando que pela vida que ele tem, acha pouco. "Vejo amigas minhas, que o marido não foi presidente ou senador, e tem uma pensão de quase R$ 40 mil reais".
O que causa estupefação é o Fantástico se prestar para veicular esse tipo de entrevista que na verdade não teve nada de fantástico.
 
MENSALÃO
O que eu disse ontem está se confirmando hoje. Doze réus do mensalão apostam em uma
brecha do código penal que livrou o ex-presidente Fernando Collor de Mello para tentar escapar da acusação pelo crime de corrupção passiva. Entre eles, estão o presidente de honra do PTB e ex-deputado federal Roberto Jefferson e os ex-deputados Bispo Rodrigues e João Paulo Cunha.
indiretamente vantagem indevida ou promessa de tal vantagem”. No caso Collor, apesar da comprovação de que o ex-presidente recebeu vantagem indevida, a PGR não conseguiu provar que ele adotou alguma providência que favorecesse o “Esquema PC” (o tal “ato de ofício’). O ministro Celso de Mello é o único integrante da atual corte do STF, que participou do julgamento do caso Collor. Na época, ele afirmou que é necessária a bilateralidade entre ato de corrupção e ato do agente público. “ToQuando o ex-presidente Collor foi julgado em 1994 também pelo crime de corrupção passiva, após ser acusado pela Procuradoria Geral da República (PGR) de ter recebido aproximadamente R$ 5 milhões do chamado “Esquema PC”, ele foi inocentado por falta de provas e porque a PGR não conseguiu comprovar a existência do chamado “ato de ofício”. De acordo com o art. 317 do Código Penal, uma pessoa pratica o crime de corrupção passiva quando “recebe direta ourna-se imprescindível reconhecer, portanto, para o específico efeito da configuração jurídica do delito de corrupção passiva (...) a necessária existência de uma relação entre fato imputado ao servidor público e um determinado ato de ofício pertencente à esfera de atribuições”.
Esses doze réus que respondem pelo crime de corrupção passiva apostam justamente nessa interpretação do STF, de 1994, para também fugir de condenação semelhante. Detalhe: eles citam nominalmente a interpretação dada pelo Supremo Tribunal Federal ao art. 317 durante a Ação Penal 307 (caso Collor). O presidente de honra do PTB, Roberto Jefferson, afirmou em suas alegações finais que a PGR, na acusação, não conseguiu provar a existência do “ato de ofício”. “Quando para formular pedido de condenação no crime de corrupção passiva, louva-se a referência a opinião isolada e, citando parte do acórdão na Ação Penal nº 307-DF (...) diz que na configuração dessa infração é prescindível ato de ofício, que, aliás, não indicou na sua denúncia, praticando ou deixando de praticar”.
O bispo Rodrigues, acusado de ter recebido dinheiro do esquema, também cita a “discussão sobre o nexo de causalidade entre a conduta do funcionário público e a realização de ato funcional de sua competência”. “Conforme, aliás, já decidiu o Supremo Tribunal Federal na Ação Penal nº 307-DF, movida pelo Ministério Público Federal contra Fernando Collor de Mello”. Ainda segundo a defesa de Rodrigues, a PGR “deveria apontar na denúncia, portanto, a ocorrência de ao menos um ato – ação ou omissão – necessariamente ligado ao exercício da função”. “Foi porque não houve vinculação do recebimento de vantagem por agentes públicos com algum ato de ofício (..) que a ação penal foi julgada improcedente, em caso de repercussão história em 1994”, emenda a defesa de José Borba, também citando o caso Collor, nas suas alegações finais. Borba era ex-líder do PMDB na Câmara e acusado de ter recebido R$ 2,1 milhões para articular o apoio político ao PT.

domingo, 15 de julho de 2012


O MUNDO É DOS ESPERTOS
Está se comentando que o julgamento dos envolvidos no escândalo do mensalão começará dia 2 de agosto no STF - Supremo Tribunal Federal. E comenta-se, também, que falhas da Procuradoria e inconsistências em peças de acusação em ações no STF mostram que impunidade no caso mensalão não deve ser descartada. Entre o clamor popular e a condenação de um réu por um colegiado de juízes em casos importrantes como no julgamento do mensalão, marcado para o dia 2 de agosto, existe um abismo nem sempre visto com bons olhos pela sociedade.
Na análise de um julgamento, a consistência da denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) e do ministro relator (no caso específico do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa) são extremamente importantes para dar corpo a esse sentimento de justiça. O problema é que muitas vezes, brechas jurídicas e falhas nas denúncias, às vezes pontuais, livram da condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) certos personagens que eram tidos como culpados, mesmo antes do julgamento. Não sei todos estão lembrados. Um exemplo emblemático ocorreu no julgamento do caso Collor durante a análise da ação penal em 1994. O ex-presidente foi julgado com mais oito pessoas (entre os quais Paulo César Farias, seu então tesoureiro) pelos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, supressão de documentos e falsidade ideológica.
Collor respondeu pelo crime de corrupção passiva (quando funcionário público recebe vantagem indevida) por ter supostamente se beneficiado do cargo de presidente da república. Na acusação, a PGR afirmava que o ex-presidente utilizou contas fantasmas para receber diretamente de empresas ligadas à PC Farias, US$ 4.724.593,99. Collor argumentou que o dinheiro era fruto de restos de gastos de campanha. Depois disse que os recursos foram obtidos junto a um empréstimo no Uruguai.
No entanto, durante o julgamento, os ministros do STF consideraram que houve falta de provas. As provas mais contundentes do esquema, uma gravação de conversa telefônica e disquetes de computador, foram anuladas após serem classificadas como ilegais. Elas foram obtidas sem a anuência dos investigados ou ações judiciais de interceptações telefônicas ou de busca e apreensão. A Procuradoria não se atentou a esse detalhe.
Outro problema na acusação do procurador-Geral da República na época, Aristides Junqueira, estava relacionada à falta de um “ato de ofício” perpetrado pelo ex-presidente. Na prática, o entendimento dos ministros é que esse crime somente poderia ser configurado na época quando houvesse a comprovação de antecipação, omissão ou retardamento de ato funcional em virtude de uma vantagem recebida. Nos autos, isso não ficou devidamente comprovado.
Um exemplo prático: a PGR não conseguiu demonstrar que após receber dinheiro de Paulo César Farias, Fernando Collor de Mello tivesse adotado alguma postura que beneficiava, por meio de ações do poder executivo, as empresas ligadas ao esquema. Nesse caso, um simples despacho publicado no Diário Oficial já seria suficiente.
Outro político que conseguiu escapar de uma condenação no Supremo Tribunal Federal durante julgamento de ação penal foi o deputado gaúcho Sérgio Moraes (PTB-RS). Ele tornou-se conhecido em 2008 após afirmar que estava “se lixando para a opinião pública”. Ele era acusado pela PGR de ter utilizado um bem público para benefício próprio.
Na acusação, entretanto, faltaram elementos probatórios que sustentassem a acusação. Tanto que ela foi refutada pelo próprio relator do caso, o ministro Luiz Fux. “Os elementos contidos na ação penal não são suficientes para a paz necessária que o magistrado precisa para pronunciar uma condenação", admitiu Fux durante o julgamento.
Em outros casos, falhas nas peças acusatórias levaram determinados casos a nem serem julgados pelo Supremo. Em 2005, o plenário do STF arquivou o inquérito contra o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e outras 24 pessoas por suposto desvios de verbas na extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). A hoje governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), denunciada junto com Jader, também foi beneficiada.
Barbalho se livrou graças a uma questão de ordem trazida por um dos denunciados, Jorge Murad, marido de Roseana Sarney. Ele argumentou que tinha prerrogativa de foro privilegiado, mesmo raciocínio da defesa de Roseana e que, por isso, qualquer investigação deveria ser remetida à Justiça de segundo grau e não à de primeiro, como ocorreu na época (a investigação foi autorizada pela 2ª Vara Federal do Tocantins). Com isso, o relator do processo, ministro Gilmar Mendes, anulou a denúncia e o processo foi arquivado.
Como vocês veem nessa área da Justiça há muita malandragem por trás do pano, e quem for mais esperto leva vantagem.

NÃO EXISTEM LÍGUAS UNIFORMES
Muitas vezes nos deparamos com diversas críticas feitas por parte da própria população no que diz respeito ao registro oral dos brasileiros. Isso ocorre sem se levar em conta a classe social, as oportunidades oferecidas pelas escolas, pelo ambiente habitacional, o modo de aprendizagem e até mesmo as diferentes influências culturais dos indivíduos. Esquecemo-nos que em cada extremo do nosso país, de norte a sul e de leste a oeste, todas as línguas variam, isto é, não existe nenhum país no mundo em que todos os seus habitantes falem de maneira igual, com o mesmo sotaque e até com as mesmas “gírias”. Esse fenômeno social e dinâmico é o que chamamos de variação linguística.

Um grande exemplo é a mudança do ambiente rural para o urbano, do campo para as grandes cidades. Os novos habitantes da cidade, conhecidos como “caipiras” ou "colonos", geralmente possuem um vocabulário bastante restrito em relação aos cidadãos "urbanizados". Este outro fenômeno, também dentro das variações que o idioma traz, é chamado de variação sociocultural. Assim, mesmo que diferentes, certas palavras são de fácil visualização no decorrer de uma "prosa" com uma pessoa que viveu toda a sua vida no campo como “arguma”, “pranta”, entre outras, já que não há tantas divergências entre os seus significantes e seus significados. Atualmente as críticas - podemos chamar até de “preconceito” - têm aumentado no decorrer dos anos, principalmente em casos de emigração, ou seja, quando uma quantidade de pessoas (ou, pelo menos, uma) muda de um estado para o outro, sofrendo modificações  no seu cotidiano e sendo influenciadas por outras crenças, costumes;  muitas vezes, nada parecidos com os vivenciados anteriormente. Como exemplo, na forma diversa de expressão na língua, podemos citar os gaúchos, acostumados a usarem o “tu” ao invés do uso do pronome de tratamento “você” utilizado pelos paulistas. Em alguns casos, as formas de uso acarretam em discussões acaloradas sobre qual forma seria a mais correta. A isso, damos o nome de variação regional ou simplesmente regionalismo. As variações de uso do léxico também ocorrem com frequência: o famoso “pão” paulista é conhecido como “cacetinho” para os gaúchos, sendo formas diferentes de se falar, mas que significam o mesmo alimento em ambos os estados. A variação linguística é uma das melhores invenções ou adaptações da humanidade, sendo considerada fonte de recursos alternativos, que em grande proporção geram uma maior expressividade, diferente da língua uniforme. Mas, tem uma influência cultural, que vem da origem italiana que é de doer o ouvido e irrita profundamente. Não é preconceito. Acho que é falta de querer corrigir-se. Por exemplo: em vez de pão, pronunciam "pom", coração "coraçom", som "são", "aérroporto", "TV-Cão" em vez de TV-Com, e assim por diante. Isto faz lembrar-me uma festa no interior. É comum a realização de rifas de bolos, galinhas assadas, pudins etc., sempre comandada por um dos festeiros. Numa destas festas o leiloeiro anunciou ao microfone o seguinte: "Atençóm... atençóm... agora vai corer (com um r só)  a rifa (com dois rr)  do perru...(com dois rr).
Mas o pior não é isto. O pior é quando ouvimos comunicadores de rádio usarem esta forma de falar. É a chamada variação sociocultural.
 
Para você meditar

 Cheguei a conclusão que aqueles que já morreram são mais felizes do que os que continuam vivos. Porém mais felizes do que todos são aqueles que ainda não nasceram e que ainda não viram as injustiças que há neste mundo. Dizem que só mesmo um louco chegaria ao ponto de cruzar os braços e passar fome até morrer. Pode ser. Mas é melhor ter pouco numa das mãos, com paz de espírito, do que estar sempre com as duas mãos cheias de trabalho, tentando pegar o vento. Descobri ainda que na vida existe mais uma coisa que não vale a pena: é o homem viver sozinho, sem amigos, sem filhos, sem irmãos, sempre trabalhando e nunca satisfeito com a riqueza que tem. É melhor haver dois do que um, porque duas pessoas trabalhando juntas podem ganhar muito mais. Se uma delas cai, a outra a ajuda a se levantar. Mas, se alguém está sozinho e cai, fica em má situação porque não tem ninguém que o ajude a se levantar”. (Eclesiastes 4 1-8)